CARTA DO CACAU I MANIFESTO DE ILHÉUS E REGIÃO CACAUEIRA
CARTA DO CACAU
O
MANIFESTO DE ILHÉUS E REGIÃO CACAUEIRA.
Fórum
Permanente de Defesa da Economia Cacaueira
Ilhéus,
Bahia – 26 de março de 2026.
Nós,
produtores, lideranças políticas, autoridades técnicas e cidadãos da região
cacaueira, reunidos no Plenário da Câmara Municipal de Ilhéus, proclamamos que
a cacauicultura brasileira atravessa um momento de emergência histórica.
Este documento é fruto da Audiência Técnica sobre a Economia da Cultura do Cacau, institucionalizada a partir desta data
como marco oficial do calendário legislativo de Ilhéus, com o objetivo de
garantir que a voz do Sul da Bahia ecoe com força em Brasília e no mundo.
I. DIAGNÓSTICO DA CRISE E FUNDAMENTAÇÃO TÉCNICA
A cadeia
produtiva do cacau enfrenta uma crise estrutural que ameaça a soberania
nacional. Baseamos este manifesto nos seguintes pilares de urgência:
●
Assimetria
de Mercado e Pressão de Preços: Observa-se uma compressão dos preços pagos ao produtor
incompatível com o mercado internacional. A elevada concentração da demanda por
indústrias moageiras sugere um abuso de poder econômico que desestimula o
produtor rural.
●
Distorções
no Regime de Drawback: O
uso prolongado da suspensão tributária para importação substitui a produção
nacional por amêndoas estrangeiras de custo artificialmente reduzido,
fragilizando a competitividade interna.
●
Vulnerabilidade
Fitossanitária: A
importação de amêndoas representa uma ameaça concreta de introdução de pragas
exóticas. A recente fragilização regulatória e a revogação de normativas
específicas aumentam o risco de danos irreversíveis à lavoura brasileira.
●
Concorrência
Internacional Desleal:
Denunciamos a entrada de cacau proveniente de regiões com registros de trabalho
infantil e análogo à escravidão. O produtor brasileiro, que cumpre rigorosa
legislação trabalhista e ambiental, não pode ser punido por operar com ética e
sustentabilidade.
●
Ausência
de uma previsão de safra anual no setor.
●
Ausência
de cooperativas para organização e comercialização dos produtores rurais.
●
Ausência
de um fundo setorial para viabilizar politicas públicas para cadeia produtiva
do cacau.
II. COMPROMISSO INSTITUCIONAL E PLANO DE AÇÃO
A presença de
autoridades como o Secretário Milton Andrade, a Vice-prefeita Wanessa Gedeon, a
Presidente da ANPC Vanusa Barroso, a Deputada Federal Lídice da Mata e o
Vereador Cesar Porto, Guilherme Moura, José de Arimateia, Horácio do Pão e
Paulo Marrocos, representantes do município de Itabuna, Buerarema, Camacã,
Itajuípe, Ubaitaba, Ibirataia, dentre outros, simboliza a união para a execução
das seguintes medidas:
1. Medidas Regulatórias e Legislativas
●
Sustação
de Atos Prejudiciais:
Articulação imediata com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) para a
implementação de Projeto de Decreto Legislativo (PDL) contra normas que
desprotegem o setor.
●
Revisão
do Drawback: Pleito junto
ao MDIC para restabelecer o equilíbrio entre a importação necessária e a
proteção do estoque nacional.
●
Rigor
Sanitário:
Reestabelecimento de critérios rigorosos de defesa fitossanitária, com
tolerância zero para cargas de zonas de risco.
Atuação no senado para aprovação da PL 1769 – Aumento do teor de cacau do
chocolate.
Articulação política da PL 479 (PRLCB, renova cacau)
●
Defesa
da Concorrência:
Protocolo de representação formal junto aos órgãos competentes (CADE) para
apuração de possíveis práticas de cartel e abuso de poder econômico pela
indústria.
●
Valorização
e Rastreabilidade:
Fomento ao Sistema Cabruca como modelo global de serviços ambientais e
ativo para créditos de carbono, além do incentivo à organização de produtores
em cooperativas e certificação de qualidade.
●
Criação
de cooperativas, retorno da previsão de safra.
●
Criação
do fundo.
●
Definição
de política para a cultura do cacau com atribuição clara dos entes União,
Estados e municípios.
●
Defesa
agropecuária.
●
Fortalecimento
da CEPLAC.
●
Utilização
do cacau/chocolate-Bahia na alimentação escolar.
●
Retorno
imediato do laboratório CEPLAC no processo de classificação
do cacau por setor oficial e não do setor privado.
●
Reestruturação
do laboratório de análise de solo do Centro de Pesquisa do Cacau (CEPEC).
●
Criação
do Conselho do Cacau.
●
Desenvolver
um sentimento de pertencimento junto as lideranças da região cacaueira
(prefeitos, vereadores, lideranças do seguimento produtivo rural) para exercer
pressão política em Brasília na defesa dos interesses da cultura do Cacau
(liderada por prefeitos).
III. A
PROCLAMAÇÃO FINAL
A partir da
alteração da Lei Orgânica do Município de Ilhéus, o dia 26 de março
deixa de ser apenas uma data no calendário para se tornar o dia do Voto de
Vigilância pela Lavoura. Não permitiremos que o suor de quem trabalha na
terra seja desvalorizado.
A história
de Ilhéus e região cacaueira é escrita com cacau. O futuro do Brasil depende da
soberania de quem o produz.
"Sem
cacau, o Sul da Bahia perde a sua história. Sem o produtor, o Brasil perde a
sua soberania."
FONTE: JORNAL
DO RADIALISTA.