Investimentos na UESC em 2025 não chegaram a 15% do valor previsto; números despencaram nas quatro estaduais

Os investimentos realizados nas Universidades Estaduais da Bahia (UEBA) em 2025 atingiram o pior patamar dos últimos três anos. Dados oficiais do Portal da Transparência revelam que, dos R$ 200,1 milhões previstos na Lei Orçamentária Anual (LOA) para investimentos nas quatro instituições, apenas R$ 59,8 milhões foram executados, o equivalente a 29,9% do orçamento.

Isso significa que cerca de 70% dos recursos destinados à infraestrutura universitária não foram gastos. Ou seja, a verba existe, foi aprovada no Legislativo, mas o governo estadual não autoriza sua execução. A situação evidencia a falta de autonomia administrativa e financeira das UEBA, que seguem dependentes de decisões centralizadas nos órgãos do governo, em Salvador.

Na Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), a situação é ainda mais grave. Dos R$ 44,5 milhões previstos para investimentos, apenas R$ 6,4 milhões foram executados, representando 14,5% do valor orçado. Em outras palavras, mais de 85% dos recursos que deveriam fortalecer a infraestrutura da universidade permaneceram apenas no papel.

"É um dado absurdo e inaceitável. Estamos falando de recursos essenciais para garantir o funcionamento da universidade, com ensino, pesquisa, extensão. Ficam paradas construções, reformas, aquisição de equipamentos, contratação e valorização de professores e técnicos, afetando diretamente a qualidade da educação e também a vida do servidor", denuncia a professora Nane Albuquerque, presidenta da ADUSC.

A baixa execução orçamentária compromete as atividades acadêmicas e acelera a precarização da infraestrutura das universidades estaduais. O cenário chama ainda mais atenção diante do aumento do Produto Interno Bruto (PIB) e da arrecadação do Estado da Bahia.

"É uma escolha política. As universidades públicas não são tratadas como prioridade. Há um ano o governo estadual se recusa a receber o movimento docente para negociar nossas reivindicações, e os números comprovam o estrangulamento orçamentário imposto à educação superior pública baiana", afirma Nane Albuquerque.

Nesta quarta-feira, 29 de julho, professoras e professores das Universidades Estaduais da Bahia realizarão uma mobilização em Salvador para denunciar o descaso do governador Jerônimo Rodrigues com o movimento docente. A data marca um ano da última reunião entre o governo e a categoria. O Fórum das ADs e a ADUSC cobram a retomada imediata das negociações sobre direitos e o fortalecimento das universidades estaduais.

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