Em índice de transparência, municípios baianos avaliados têm média de 32,6 pontos, numa escala de 0 a 100

Levantamento do Instituto Nossa Ilhéus, com metodologia da Transparência Internacional – Brasil, avaliou 78 municípios de cinco territórios de identidade da Bahia em 124 indicadores de transparência, governança pública e participação; transparência em obras públicas tem pior avaliação.


Ilhéus, 25 de agosto de 2026 - A terceira edição do Ranking de Transparência e Governança Pública dos Municípios do Litoral Sul, Baixo Sul, Extremo Sul, Médio Rio de Contas e Costa do Descobrimento da Bahia, divulgada hoje pelo Instituto Nossa Ilhéus (INI), mostra que as prefeituras avaliadas alcançaram nota média de apenas 32,6 pontos, numa escala de 0 a 100. Em comparação com o ano anterior, houve aumento de apenas 0,3 pontos na média geral. O resultado, considerado "Ruim", mostra que ainda há grandes desafios na consolidação de práticas de transparência e governança pública nos executivos municipais.

Dos 78 municípios avaliados pelo INI, seguindo metodologia da Transparência Internacional - Brasil, nenhum município alcançou a faixa “Ótima”, apenas duas prefeituras alcançaram o nível “Bom”, 21 ficaram na faixa "Regular", 40 em "Ruim" e 15 em "Péssimo". A melhor avaliação foi do município de Itapitanga, com média 76,1, seguido de Itajuípe, com 60,1. As duas tiveram avanço significativo entre 2025 e 2026, com a primeira crescendo 13,4 pontos e a segunda 9,7. Na outra ponta, Igrapiúna foi o último colocado, com 10,3 pontos.  

Os dados mostram que, dentre todas as dimensões analisadas, “Obras Públicas” é a que permanece com a pior avaliação, com média de apenas 14,7 pontos entre todos os municípios, resultado considerado "Péssimo". Apesar disso, essa foi a dimensão com maior evolução entre 2025 e 2026, 3,5 pontos, mostrando um avanço, porém ainda tímido.  

Nessa dimensão, a avaliação verifica se as prefeituras divulgam informações básicas sobre cada obra contratada, como objeto, valor, empresa responsável, prazo, situação de execução e eventuais atrasos ou paralisações, sendo um termômetro importante de fiscalização e prevenção de desvios de recursos.  

No outro extremo, o melhor desempenho aparece em Plataformas, com 71,6 pontos, dimensão relacionada à avaliação da existência de portais de Transparência e Dados Abertos de fácil acesso, além de canais de ouvidoria, solicitação de informações e realização de denúncias anônimas, por exemplo. Apesar do resultado positivo, houve queda de 3 pontos na média geral se comparado ao ano passado, o que mostra a necessidade de continuidade na atualização das plataformas. 

Na dimensão “Obras Públicas”,  que teve o pior  desempenho, recomenda-se que as prefeituras avaliadas implementem ou atualizem plataformas para acompanhamento das obras públicas, onde sejam disponibilizadas informações, como execução orçamentária, etapas atrasadas, eventual indicação de paralisação da obra, percentual de execução de cada etapa. Outro ponto importante é a publicação em páginas específicas das informações e documentos das licenças ambientais e dos estudos e respectivos relatórios que descrevem os impactos esperados pelas obras públicas contratadas pelo ente avaliado, como o Estudo de Impacto Ambiental (EIA), o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) e/ou o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV).  

A avaliação considera exclusivamente informações públicas disponíveis nos portais oficiais das prefeituras. Ela mede se a informação existe, está organizada e é acessível ao cidadão e não avalia a qualidade dos serviços prestados pelo município. A avaliação das prefeituras foi realizada com apoio da Universidade Estadual de Santa Cruz e da Agência de Desenvolvimento Regional do Sul da Bahia (ADR-Sul Bahia). Acesse os resultados em: https://transparenciainternacional.org.br/itgp/regiao/bahia 


Evolução dos municípios desde 2024 

O Instituto Nossa Ilhéus acompanha os 78 municípios desses cinco territórios de identidade desde 2024, o que permite medir a evolução ao longo desses três ciclos. Nesta avaliação, alguns municípios que se destacaram em outras edições perderam posições, em geral, pela perda de consistência por falta de disponibilização de dados, atualização ou comprovação de documentos, por exemplo.   

Em todas as edições do ranking, as prefeituras recebem antecipadamente as notas preliminares da avaliação e têm a oportunidade de apresentar recursos com contestação. Em 2026, apenas 13 municípios fizeram esse pedido, e sete deles conseguiram melhorar sua nota em relação ao ano  anterior: Arataca, Coaraci, Itabuna, Itacaré, Itajuípe, Itapitanga, Presidente Tancredo Neves. Durante o período de recursos, os municípios têm a chance de aprimorar seus instrumentos de transparência e governança pública e solicitar a revisão das notas preliminares, o que pode resultar em melhores posições no ranking final. 

“Transparência não é apenas publicar. É permitir compreender, acompanhar, questionar e participar. E o resultado do ITGP em 2026 demonstra exatamente essa lacuna”, comenta Maria do Socorro Mendonça, presidente do Instituto Nossa Ilhéus.


Grandes desafios para todos os municípios avaliados: Adaptação Climática e Saúde 

O Instituto Nossa Ilhéus também avaliou neste ano, pela segunda vez, os dados de  transparência e governança pública dos 78 municípios do Litoral Sul, Baixo Sul, Extremo Sul, Médio Rio de Contas e Costa do Descobrimento da Bahia nas áreas de Adaptação Climática e Saúde. 

A avaliação da transparência e governança pública da Adaptação Climática revela a falta de planejamento e ações para o contexto de vulnerabilidade dos municípios frente aos riscos de eventos climáticos extremos, como enchentes, ondas de calor e secas. Nesse módulo, nenhuma prefeitura alcançou nível "Bom" ou "Ótimo" e apenas 9 ficaram na faixa classificada como "Regular", sendo Ilhéus o primeiro colocado, com 55,2 pontos, seguido de Prado (48,1), Itacaré (48,0) e Itapitanga (43,7). Por outro lado, 17 prefeituras tiveram nota zero.

Os resultados mostram um avanço na média geral desse módulo, que passou de 9 pontos em 2025, para 13,7 em 2026, com a ascensão de três municípios para o nível "Regular" nesse período, além de Ilhéus, que manteve posição de liderança nesse módulo. Apesar disso, o resultado geral ainda é considerado "Péssimo", mostrando que a evolução está acontecendo, porém ainda serão necessários muitos avanços nessa área para que os municípios alcancem a faixa "Ótima" de notas na avaliação.

Já no módulo de Saúde, que avalia as práticas de transparência e governança pública nesse setor, a média dos municípios foi de 16,1 pontos, também na faixa de notas “Péssimo”. No que se refere a esse módulo, foi verificado que a maioria dos municípios não disponibiliza dados públicos estruturados, acessíveis e úteis para o controle social. Os municípios com melhores resultados ficaram na faixa "Regular", sendo liderados por Ipiaú, com 59,6 pontos, seguido de Itacaré (58,9), Itapitanga (55), Porto Seguro (52,2) e Ilhéus (47,5). Na média geral, houve crescimento de 2,4 pontos.

Na avaliação deste ano, os seguintes municípios ranquearam à frente: Itapitanga, no modelo integrado; Ilhéus, no módulo de Adaptação Climática; Ipiaú, no módulo de Saúde; Itajuípe, se destaca na governança geral; e Itacaré melhor  desempenho equilibrado nos módulos temáticos.


Sobre o Instituto Nossa Ilhéus - É uma iniciativa da sociedade civil organizada, apartidária com o título de OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, fundada em 2012. Já realizou cinco avaliações com metodologia do Índice de Transparência e Governança Pública Municipal - ITGP-M, e, desde 2024, passou a avaliar 78 municípios do Litoral Sul, Baixo Sul, Extremo Sul, Médio Rio de Contas e Costa do Descobrimento da Bahia. 


O INI busca a aproximação da sociedade civil e do poder público em suas ações, atuando com advocacy, para fortalecer o alinhamento da vocação natural dos municípios do sul da Bahia com o desenvolvimento sustentável, por meio de três eixos de atuação: ‘Educação para Cidadania’, ‘Monitoramento Social’ e ‘Impacto em Políticas Públicas’. O INI trabalha em rede e está aberto ao engajamento da população em suas atividades. Saiba mais no site www.nossailheus.org.br.


Sobre o ITGP - O Índice de Transparência e Governança Pública Municipal (ITGP-M) é uma metodologia desenvolvida pela Transparência Internacional – Brasil para avaliar a transparência, a governança pública e a participação cidadã em municípios brasileiros. O índice é composto por três módulos avaliados e pontuados separadamente: Geral, Saúde e Adaptação Climática. A aplicação é feita por organizações da sociedade civil em seus próprios territórios, que coletam as informações, analisam os recursos apresentados pelas prefeituras e divulgam os resultados de sua região. 

O módulo Geral considera exclusivamente informações públicas disponíveis nos portais oficiais das prefeituras e se organiza em seis dimensões: legislação; plataformas; administrativo e governança; obras públicas; transparência financeira e orçamentária; e comunicação, engajamento e participação. Cada município recebe uma nota de 0 a 100 pontos, classificada em cinco faixas: Péssimo (0 a 19,9), Ruim (20 a 39,9), Regular (40 a 59,9), Bom (60 a 79,9) e Ótimo (80 a 100). Antes da divulgação, todas as prefeituras avaliadas recebem sua nota preliminar e têm prazo para apresentar recursos. A metodologia completa está disponível no site do índice.

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